Displasia Congênita de Quadril

O que é?

É uma condição onde há uma alteração no desenvolvimento do quadril do recém-nascido que prejudica a estabilidade desta articulação. Isto é, o encaixe do fêmur (osso da coxa) na bacia não é firme, fazendo com que o quadril fique frouxo, instável, portanto displásico. Algumas vezes tão instável que já ao nascimento ocorre o desencaixe desta articulação (luxação congênita do quadril).

A ocorrência da Displasia congênita de quadril (DCQ) é variável nos diferentes países, nos Estados Unidos, por exemplo, aparece em 1 a cada 60 recém-nascidos. Não há estatística confiável no Brasil.

É mais comum na raça branca e as meninas são 4 vezes mais afetadas que os meninos.

Como e porquê ocorre?

Dois fatores concorrem para o aparecimento do problema; O primeiro é o fator genético que determina que a criança nasça com frouxidão dos ligamentos de todas as articulações, inclusive do quadril, tornando-o mais instável. O segundo é o fator “mecânico”, que diz respeito à posição do bebê intra-útero. A posição pélvica, por exemplo, favorece a ocorrência da DCQ.

Quando um ou ambos fatores estiverem presentes, há chance de haver prejuízo no desenvolvimento dos quadris do recém-nascido.

O diagnóstico

A suspeita é quase sempre feita pelo pediatra neonatologista, já no berçário da maternidade, onde este profissional, de rotina, examina os quadris de todos os recém-nascidos. A suspeita ocorre quando o pediatra sente um “click” ou um ressalto ao mover os quadris da criança (sinal de Ortolani). A criança então, é encaminhada ao ortopedista pediátrico para prosseguir a investigação diagnóstica.

Existindo realmente a suspeita clínica será necessário a realização de um exame de imagem para confirmação do diagnóstico. O melhor exame para diagnóstico precoce da DCQ é a ultra-sonografia. Com o exame de ultra-som além de ser possível fecharmos o diagnóstico é possível também avaliarmos a gravidade do problema, uma vez que a displasia pode ser leve ou grave.É baseado no exame clínico e ultrasonográfico que o ortopedista irá escolher a forma mais adequada de tratamento.

A radiografia simples da bacia da criança nos dá poucas informações nos primeiros meses de vida, porém será o principal exame de seguimento da criança após o quinto mês de vida.

O tratamento

O tratamento é tão mais fácil quanto mais precoce for iniciado. Portanto se houver a suspeita do médico pediatra, a criança deve ser levada ao ortopedista logo nas primeiras semanas de vida.A melhor forma de tratamento depende principalmente da idade de início do tratamento e do grau da displasia de quadril que a criança apresenta. Sendo o diagnóstico feito nas primeiras semanas de vida, geralmente o tratamento consiste no uso de aparelho ortopédico que mantenha as coxas flexionadas sobre o abdome e bem afastadas uma da outra (flexão e abdução dos quadris). Esta posição confere estabilidade ao quadril e fará com que este se desenvolva em boa posição. O aparelho mais frequentemente usado é o suspensório de Pavlik (fig.1).

Criança de 2 meses de idade usando suspensório de Pavlik.

Quando o diagnóstico é feito mais tardiamente, geralmente após o quarto ou quinto mês de vida, geralmente a displasia está mais grave, a maioria já com franca luxação (desencaixe) do quadril e o tratamento é mais difícil sendo necessário geralmente tração nos membros inferiores seguida de confecção de gesso, sob anestesia, para que se possa reencaixar o quadril.

Infelizmente em alguns casos o diagnóstico só é feito após um ano de idade quando a criança começa a andar e os pais percebem que ela está mancando. Nesta idade já se torna impossível o bom reencaixe do quadril por qualquer outro meio que não seja cirurgicamente.

Como na maioria das doenças, o diagnóstico precoce é muito importante.

Em especial na DCQ a ultra-sonografia aparece como um excelente método de detecção precoce do problema, possibilitando o rápido início e confiável seguimento do tratamento.