Paralisia Cerebral

O que é?

É o resultado de uma lesão permanente, porém não progressiva, no cérebro em desenvolvimento (morte de células cerebrais), que causa distúrbios principalmente do movimento, equilíbrio e postura.

O cérebro controla todas as funções do nosso corpo; a ação de todos os músculos, o equilíbrio, os órgãos dos sentidos, inteligência, etc. Todas estas funções estão representadas em áreas diferentes do cérebro, portanto as seqüelas que uma criança portadora de paralisia cerebral (PC) terá, depende do local em que ocorreu a lesão, e também da extensão cerebral que foi acometida, isto é, da quantidade de células cerebrais que morreram.

A lesão é permanente, pois infelizmente as células cerebrais não se regeneram.

Como e porquê ocorre?

As causas da paralisia cerebral (PC) são diversas e podem ser divididas em três grupos:

  1. Causas pré-natais – condições que prejudiquem o desenvolvimento cerebral durante a gravidez, Cocomo as infecções (toxoplasmose, rubéola, etc) e a desnutrição grave. Por isso é Coimportantíssimo um bom acompanhamento médico durante a gestação (“pré-natal”).
  2. Causas pós-natais – condições que causem lesão cerebral após o nascimento do bebê, como Cotraumatismo craniano, que causa hemorragia cerebral, e as meningites.
  3. Causas peri-natais – são as mais freqüentes. São causadas pela falta de oxigenação adequada Codo cérebro(anóxia) no momento do parto. A morte de células cerebrais por falta de oxigênio Copode ser causada em partos prematuros, em que o pulmão do recém nascido ainda não está Comaduro para captação adequada de O2; em partos difíceis e demorados em que haja Cosofrimento fetal; ou pós datismo, isto é, passa da hora de nascer e não ocorre o trabalho de Coparto. Emfim situações em que o “Apgar” da criança ao nascer é baixo.

A anóxia neonatal, causa mais freqüente de PC, causa lesão no córtex cerebral, área responsável pelo controle da musculatura do corpo. Estas crianças terão, portanto dificuldade no controle muscular, geralmente no que diz respeito ao seu relaxamento, fazendo com que haja aumento do tônus muscular, com rigidez de movimentos. A esta condição denominamos “espasticidade”. Esta espasticidade além de causar dificuldade nos movimentos, pode gerar “atitudes” articulares anormais, isto é, as articulações podem ficar dobradas demais ou esticadas demais.

A maioria das crianças portadoras de PC tem acometimento predominantemente dos membros inferiores – Diparesia espástica. Porém algumas têm seqüelas nos quatro membros, pois foram mais gravemente afetadas – Tetraparesia espástica.É importante lembrar que 80% dessas crianças têm inteligência normal ou próxima do normal. Os tetraparéticos, entretanto, geralmente apresentam rebaixamento mental mais grave, pois a lesão cerebral foi mais extensa acometendo também a área da inteligência.

O diagnóstico

Embora a história clínica e o exame físico do bebê, principalmente no que diz respeito aos reflexos, sejam muito importantes para o diagnóstico, geralmente apenas com o acompanhamento do desenvolvimento neurológico da criança, é que será possível fecharmos o diagnóstico.

A criança portadora de PC terá um atraso em seu desenvolvimento Neuro-psico-motor (DNPM), isto é, demorará a segurar o pescoço, demorará a sentar, engatinhar e andar. (Veja no quadro abaixo o DNPM normal). Em alguns casos mais leves, é possível que o diagnóstico só seja feito mais tardiamente quando a criança apresentar alguma alteração na marcha, pois até então tivera desenvolvimento normal e não houve a necessidade da família procurar atendimento médico especializado.

O diagnóstico de PC é, portanto eminentemente clínico, não havendo exames definitivos que confirmem o diagnóstico. Mesmo a tomografia computadorizada de crânio é muitas vezes normal em crianças com PC.

Quadro mostrando o desenvolvimento Neuro-psico-motor normal.

Habilidade neurológica
Idade (meses)
Variação (meses)
Controle cervical (pescoço)
3
+ / – 1
Sentar sem apoio
6
+ / – 1
Engatinhar
9
+ / – 1
Andar
12
+ / – 2

O tratamento

A criança portadora de alguma seqüela da paralisia cerebral é uma criança especial. Especial no convívio familiar, pois geralmente necessita maior atenção, cuidado e, muitas vezes, auxílio por parte dos pais e familiares para realização das suas atividades de vida diária. E especial do ponto de vista médico, pois há necessidade de uma equipe multidisciplinar para realizar com êxito seu tratamento. São vários profissionais e especialistas envolvidos, como por exemplo, Fisioterapeuta, Fonoaudióloga, Psicóloga, Terapeuta ocupacional, Neurologista, Ortopedista pediátrico, entre outros. Esta equipe deve ser harmônica e trabalhar junta para proporcionar à criança a melhor qualidade de vida possível.

Do ponto de vista Ortopédico:

  1. métodos não cirúrgicos, como o uso de aparelhos ortopédicos que auxiliem a função dos membros superiores para atividades manuais ou que melhorem o apoio dos membros inferiores da criança ao solo. Estes aparelhos são chamados de ÓRTESES, e além de melhorar a função dos membros, tem também o objetivo de prevenir o aparecimento ou piora das deformidades articulares, mantendo as articulações em boa posição.
  2. métodos cirúrgicos, pois algumas vezes o tratamento fisioterápico e com órteses, acima descrito, é insuficiente para proporcionar um alinhamento adequado e uma função satisfatória para os membros da criança, e há necessidade da cirurgia. O ortopedista é, também, o cirurgião da equipe.

A cirurgia ortopédica, que consiste em alongamentos tendinosos e reequilíbrio das forças musculares, será necessária em muitas dessas crianças, e tem o objetivo de corrigir as deformidades articulares, melhorando o padrão da marcha das crianças que já conseguem caminhar ou melhorando a postura e auxiliando àquelas que estão prestes a andar.

Nas crianças mais gravemente afetadas, que não conseguem ficar em pé, o tratamento cirúrgico será mais ponderado e geralmente limitado ao quadril, com o objetivo de afastar melhor as pernas (abdução) facilitando a higiene local e principalmente evitando o deslocamento (luxação) desta articulação, fato que certamente causaria dor no quadril da criança no futuro.

Como na Paralisia Cerebral nós só poderemos tratar as alterações ósteo-musculares, que são a conseqüência e não a causa do problema (que é cerebral), o objetivo final do tratamento ortopédico é a melhora da função motora da criança para que ela possa desempenhar cada vez melhor sua atividade física.