Pé Torto Congênito Eqüinovaro

Pé Torto Equinovaro
Fig. 1
Criança de 2 meses de idade, portadora de Pé Torto Congênito Eqüinovaro bilateral.

O que é?

É uma deformidade congênita, portanto presente já ao nascimento, em que o recém nascido, que não possui nenhuma outra alteração, apresenta o pé voltado para “dentro” (para linha média do corpo = varo) e para “baixo” (eqüino), conforme figura abaixo (fig 1). Pode ser um ou os dois pés afetados.

Ocorre em uma incidência aproximada de 0,1% dos recém nascidos.

Como e porquê ocorre?

Acredita-se que ocorra por uma parada no desenvolvimento embrionário dos pés do feto, dentro do útero materno. Em torno do 3º mês de gravidez é normal que os pés do feto estejam na posição de eqüinovaro, e com o desenvolvimento natural, ficam na posição “normal” em torno do 5º mês gestacional. Provavelmente por um defeito na formação dos vasos sanguíneos da perna, o pé permanece nesta posição “errada” até o nascimento.

A causa disto tudo é genética, isto é, foi herdado dos pais ou ocorreu uma mutação genética que alterou o DNA do feto causando a deformidade. Em aproximadamente 35% das crianças com pé torto, há alguém na família com o problema. Os outros 65% que são o primeiro caso na família, ocorreram por mutação genética. Não se conhece queda, trauma ou infecção durante a gravidez que possa causar pé torto congênito.

O diagnóstico

O diagnóstico é fácil, e será realizado por seu ortopedista através do simples exame clínico do bebê.

É importante salientar que além do pé torto, estas crianças apresentam também uma diminuição no tamanho do pé e atrofia da panturrilha (“batata” da perna), no lado afetado.

É muito importante também o exame físico completo da criança, pois o pé torto eqüinovaro pode ou não estar associado a outras malformações congênitas.

Pé Torto Equinovaro
Fig. 2
Gesso corretivo para Pé Torto Congênito. Criança de 5 meses de vida em fase final do tratamento com gesso.

O tratamento

Deve ser iniciado tão logo se faça o diagnóstico, se possível nos primeiros 15 dias de vida.

O tratamento consiste de manipulação seriada do pé e confecção de gesso que irá “forçando” o pé para a posição normal progressivamente (fig 2). Os gessos são trocados semanalmente ou quinzenalmente e tem o objetivo de alongar as estruturas (tendões, etc.) posteriores e internas do pé que estão contraturadas (encurtadas) no pé torto congênito.

O tratamento com gesso é imprescindível, porém em alguns casos, é insuficiente para a correção total da deformidade e haverá necessidade da cirurgia.

Existem basicamente duas técnicas de tratamento:

  1. Método de Kaite, no qual as trocas de gesso ocorrem até os 6 meses de idade e nesta altura, se houver necessidade, se faz uma cirurgia ampla e geralmente definitiva. Após esta ainda, há necessidade do uso de algum tempo de gesso e um curto tempo de aparelho ortopédico para manutenção da correção obtida através da cirurgia. Com esta técnica, da qual eu sou adepto, o tempo de tratamento é de 10 a 14 meses.
  2. Método de Ponseti, no qual o modo de fazer o gesso é distinto e durante o tempo de tratamento com gesso se faz pequenos procedimentos cirúrgicos, geralmente com anestesia local, e após alguns meses inicia-se o uso de aparelho ortopédico que se prolonga por 2 a 4 anos. O objetivo desta técnica é minimizar o tratamento cirúrgico, porém tem a desvantagem de prolongar muito o tempo de tratamento.

Portanto, independente da técnica utilizada, o tratamento do pé torto congênito é demorado, difícil e árduo para criança e para a família, porém em “mãos habilitadas” é satisfatório na grande maioria das vezes.