Polidactilia

Polidactia
Fig.1
Criança de 6 anos de idade, com polidactilia dos pés. Apresenta Duplicação do 2O dedo do pé, bilateral.

O que é?

É uma anomalia congênita na qual a criança nasce com mais de 5 (cinco) dedos nos pés. A forma de aparecimento da polidactilia é muito variável, podendo ser desde um dedo “molinho” em forma de um apêndice, até um dedo extra totalmente bem formado, com unha e ossos normais. Pode ainda ser mais, onde no mesmo pé terão 7, 8 ou 9 dedos. Às vezes o dedo extra-numerário aparece “grudado” ao dedo normal, o que chamamos de polisindactilia ou duplicação (fig.1).

A polidactilia é mais comum em meninas e é também bastante comum na raça negra.

Como e porquê ocorre?

A causa da polidactilia é genética, isto é, a criança herdou o gene para ter mais de 5 dedos do pai e/ou da mãe, mesmo que estes não apresentem o problema, pois este tipo de gene tem uma “penetração” variável, isto é, está presente na carga genética mas nem sempre se manifesta. Portanto nestes casos é comum ter parentes com o problema pois o gene está presente na família.

Entretanto, em algumas situações o que o ocorre é uma mutação genética, onde no momento da fusão dos genes maternos e paternos no embrião, acontece uma “falha” e se produz um gene novo que irá determinar que a criança tenha mais de cinco dedos. Embora isto não tenha sido herdado dos pais, será transmitido aos descendentes desta criança.

O diagnóstico

O diagnóstico é simples e será feito já no berçário pelo pediatra, que orientará os pais a procurar o ortopedista pediátrico para tratamento.

Importante lembrar que a polidactilia dos pés pode ser um problema isolado ou pode estar associado à polidactilia das mãos, ou mesmo a outras malformações congênitas. Por isto é fundamental o exame físico completo da criança.

Será necessário, já visando o tratamento, radiografias dos pés para se identificar a quantidade de ossos presentes no dedo extra-numerário.

O tratamento

O tratamento consiste na remoção cirúrgica do dedo extra, e deve ser feito entre 8 e 12 meses de idade. Deve se esperar esta idade, pois o pé e dedos do bebê já estarão maiores, ficando mais fácil e mais segura a cirurgia.

Nos casos em que o dedo extra é apenas um apêndice “molinho” na lateral do pé, a cirurgia pode ser realizada antes desta idade. Nestes casos eu não recomendo a prática de amarrar um fio na base do dedo para que ele caia “sozinho”, pois na grande maioria das vezes esses dedos têm sensibilidade igual à dos dedos normais e este procedimento certamente causará dor no recém nascido.

O objetivo do tratamento é portanto, além de restabelecer a estética do pé, deixá-lo apto para o uso de qualquer tipo de calçado.